O MITO DA CAVERNA

Você deve conhecer ou já ouviu falar do Mito da Caverna. Nessa alegoria Platão descreve um diálogo entre Sócrates e Glauco. Na área de Ciências Humanas é um texto clássico e obrigatório para quem realmente queira se dedicar a essa área do conhecimento (Filosofia, Ciência Política, Direito, etc.).

Faço esse esclarecimento só para deixar claro, para o leitor, que o texto abaixo não tem nada a ver com Platão, Sócrates ou qualquer outra mente pensante provida de inteligência, equilíbrio, bom senso e noção da realidade. Serve tão somente, com a devida vênia de Platão, para tomar o título emprestado.

Corre a lenda que em um certo local no interior, mais interior que se possa imaginar, há um sítio que é preservado como um dos sítios arqueológicos mais antigos do continente. Neste sítio encontra-se um conjunto de cavernas repleta de arte rupestre. Diz-se ainda que, em época muito antiga na era que até dinossauros andavam à solta pela região, um pequeno agrupamento de indivíduos habitava a região. Sujeitos bastante rudes que se organizavam em uma comunidade onde cada um tinha uma tarefa. Assim, um era o rei, outros faziam parte da administração, eram os cortesãos e mandaletes, e os demais realizavam as tarefas mais comuns como caçar, os artesãos que eram encarregados de construir, ceramistas que produziam peças para uso cotidiano e armas e os guerreiros que garantiam a segurança da tribo.

É claro que nesses tipos de agrupamento a diversão não podia ser ignorada. O rei especificamente ordenou que seu povo deveria ter acesso à diversão. Logo surgiu uma turma que se organizou e formou a Capivara’s Rock Band, não muito do agrado da corte que preferia ritmos mais locais. Mas foi o que se apresentou para o momento.

Pois nesse lugar, com estudos arqueológicos ainda em andamento, reinava o caos. Grupos com ideias e pretensões distintas se digladiavam o tempo todo sem que se pudesse vislumbrar a tão esperada luz no fim do túnel, ou no caso, fora da gruta. Partidários de um lado achavam que a comunidade deveria unir esforços para construir uma sociedade justa voltada ao bem estar social onde todos teriam acesso aos bens comuns e, claro, com algumas benesses extras para os que comandavam a turba que ninguém é de ferro. Outros discordavam dessa ideia e pugnavam por uma turma livre na base do cada um por si e todos pelo chefe. O problema é que o cargo de chefe estava vago, e os que havia estavam presos ou em vias de serem.

Eis que em um belo dia de sol, com poucas nuvens, uma suave brisa que vinha da montanha, emerge da caverna um sujeito alto, esguio com cara de poucos amigos, como se tivesse dormido mal a noite anterior. Pudera! O cara vivia dentro de uma caverna e só o que via eram sombras e uma luz tênue na saída da gruta. Queriam o quê?

Especula-se que foi dessa gruta que o Neanderthal emergiu para a glória.

É de se admirar que alguém possa viver em uma caverna. No verão tudo bem, mas imagina só o que deve ser no inverno. Frio, umidade. O sujeito deve ficar muito fragilizado, capaz de pegar até uma doença transmitida por vírus. Sim, vírus, porque adivinha com quem o cara divide a caverna, …com morcegos, óbvio!

Mas voltando à história, quando ele aparece para a turba, silêncio. Todos se calam. Era um momento de decisão e o cavernoso não hesitou:

Eu sou o cara, vim para reinar sobre todos vocês e estabelecer a paz nesse reino.

A turba em êxtase começou a vibrar e gritar a plenos pulmões:

MITO, MITO, MITO, com você nós vamos até o infinito.

O Mito embevecido parou para pensar um pouco e logo foi alertado por Fritz (o mais atacadinho dos Sobrinhos do Capitão) que lhe assoprou algo no ouvido.

PARA TUDO! SILÊNCIO!, bradou o Soberano ao que foi prontamente atendido.

Obrigado, mas na segunda parte de minha merecida ovação vocês passaram do ponto. Não tem nada dessa história de infinito porque o infinito não existe. Todo mundo sabe que a Terra é plana e se apoia sobre três gigantescas tartarugas. E já vou mandar o Hans (o mais novo dos Sobrinhos do Capitão) falar com o cara do topete e dizer para ele publicar um desmentido, para acabar com essa bobajada de que eles mandaram um homem para a Lua.

E a turba alucinada:  MITO, MITO, MITO!

Imediatamente um sujeito que estava por perto se aproxima e lhe entrega uma clava dizendo:

 Majestade, qualquer coisa aí, baixa o sarrafo nos fariseu…

Percebendo o prestígio o Rei não perdeu tempo, fez o cara ajoelhar ali mesmo, pousou a clava em seu ombro direito, que esquerda é coisa de comunista, e ordenou-o como Fiel Escudeiro do Rei.

Tá, e agora, o que é que eu tenho que fazer?

Olha, Sua Soberania, como se pode ver tá todo mundo brigando e discutindo sobre tudo. Desde que inventaram a tal de comunicação moderna, todo mundo se acha e fica dando opinião sobre qualquer coisa que dá na telha e agora temos essa Babel aí.

Babel? Quequié isso? Vamos logo acabar com essa coisa. Chama os cacique aí e monta uma turma aí para terminar com essa tal de Babel que no meu Reino ninguém vai ficar de palhaçada! Nada que um cabo e um mandurico não consigam resolver.

Mas, Vossa Imponência, metade dos que estão brigando são do nosso lado!

E daí? Briga é briga. Vou dizer pro Udacir (o mais velho dos Sobrinhos do Capitão) que publique aí nessas tal de rede que tá todo mundo errado e que quem manda aqui sou eu pronto!

Oh! Augusta Sublimidade, Talvez fosse melhor fazer isso por meios mais tradicionais senão é capaz de dar m&$#@.

Ah, ah, ah, isso já deu. Agora não tem jeito. Toca a boiada aí que a gente se vê lá no fim da crise se sobrar alguém pra contar a história.