A FALÊNCIA DO BRASIL

O Brasil faliu!

As redes de TV noticiam com estardalhaço mostrando imagens nervosas do pânico que se instalou por todo o país. Pessoas se jogando das janelas de prédios corporativos na Paulista. Gente saqueando os supermercados. Centenas se empurrando nos aeroportos para conseguir embarcar em um voo não importando o destino. Até Venezuela serve.

Os âncoras dos noticiários atarantados sem saber qual repórter chamar. As notícias estão acontecendo todas ao mesmo tempo. Os palácios do governo, do parlamento, dos estados, estão lotados de gente correndo para todo os lados como baratas tontas sem saber com quem falar, muito menos o que falar.

A crise mundial em face da epidemia do novo virus resultou na insolvência econômica do país.

Os poderes constituídos se reuniram, analisaram os dados coletados, pelos órgãos que coletam dados, e concluíram que não há mais o que fazer e que até a luz do palácio vai ser cortada por falta de pagamento.

O presidente da suprema corte enfarado falou: Larguei, esse problema não é meu, vocês aí resolvam que depois a gente decide lá se o que vocês fizeram é constitucional ou não.

O presidente da câmara dirigiu-se aos outros e declarou: Já sei, vamos propor uma PEC e resolver essa dificuldade a toque de caixa.

Ok, disseram os outros, mas sobre o que a PEC vai tratar?

Sei lá, isso é o de menos. Deixa os deputados inventarem aí os jabutis que eles quiserem e vai que sai alguma coisa boa, né? Depois o senado dá uma ajeitada lá, que isso é o que eles sabem fazer, e pronto.

No palácio, que ainda tinha luz, o presidente para seu chefe de gabinete: Mais essa agora. Isso aí é fake news. Coisa inventada pelos comunistas. Tenho vontade de pegar minha caneta e cancelar essas notícias mentirosas. Mas, pelo sim ou pelo não, convoca já uma reunião com todos os ministros para encontrar uma solução.

Ihh!, chefe, não vai dar. Tem dois em Fernando de Noronha, 3 em Búzios e um em Gramado. E eles já disseram que não tem como sair desses lugares. Além do mais eles estão com pacote de duas semanas com tudo pago. O de Gramado parece que entrou numa fábrica de chocolate e disse que só sai de lá sob tortura.

A reunião interministerial saiu com os que tinha em Brasília. A condução ficou com o chefe da casa civil. Lá da ala mais religiosa um falou em tom grave: Gente, vamos fazer uma oração e pedir ao Todo Poderoso, que é brasileiro por sinal, a nossa salvação! – Amém, concordaram os presentes.

Fritz mais rápido do que um corisco lascou: Boa! Vamos colocar no Twitter que aí o povo unido nas preces vai formar uma corrente positiva e a gente consegue reverter essa encrenca.

Oh, cara! Em que mundo você vive? Povo unido… O “povo” que tá com a gente é 30%. O resto fica remando contra. O mais que nós vamos conseguir é uma corrente contrária que vai acabar com o nosso projeto messiân…, ops, quero dizer moderno, sério e com muita fé.

O ministro da economia entrou na conversa: Turma! E se a gente entrasse com um pedido de recuperação judicial?

Ah, tá! E você acha que algum juiz seria doido de aceitar? Tá louco?

Que nada! Melhor mesmo é a gente falar com a Angela Merkel, repassar a dívida, o país, os comunistas e aí ela vai ter que nomear um interventor.

Isso! E quem nós vamos indicar para ser o interventor?

Sei lá, qualquer um. Vai dar na mesma. Se ela topar depois nós combinamos a comissão com o cara.

Tem que ser alguém que fale alemão, senão não sei não.

Pera aí pessoal. Vocês estão ficando birutas. Alguém já viu um país falir? Pedir recuperação judicial é um absurdo, isso não existe! Tem que fazer assembleia de credores, aprovar um plano de recuperação esperar que um juiz aprove…, Perguntinha: Quem são os credores da massa falida? E quem é que tem que pagar a dívida? E mais, com que grana? Na minha opinião acho que nós temos que esquecer esse negócio, tocar o barco como se nada tivesse acontecido. Isso é só um faniquito da imprensa, daqui a um pouco o povo já esquece e fica tudo bem.

Ministro das relações exteriores: Ok, mas como que eu faço, nas embaixadas em Tuvalu, Mongólia Ulterior e Togo? Os embaixadores estão reclamando que falta até papel higiênico e não dá para comprar porque os fornecedores não estão aceitando o cartão corporativo.

Paga com cheque, ué! Sejam criativos!

O ministro da defesa tem uma ideia: Sei que pode parecer um pouco radical, mas bolei um plano infalível. Um de nós poderia ir a Nova Iorque e dar uma cusparada na estátua da liberdade. Eles vão prender o cara e nós em retaliação declaramos guerra aos EUA. Pessoal, prestem atenção! Agora vem a parte importante: Vamos perder a guerra, é claro. Daí eles vão ter que tomar conta do país, a moeda passaria ser o dólar, todo mundo ia aprender o Inglês, não ia mais precisar de passaporte e visto para ir à Disney.

Grande plano! Fechado! Concordaram todos.